A restauração da emblemática Ponte Dom Pedro II, que une as cidades de Cachoeira e São Félix, enfrenta dificuldades desde agosto. O coordenador da Defesa Civil de Cachoeira, Pedro Erivaldo, destacou um impasse devido às alterações nos decretos municipais que impactaram a continuidade das obras estruturais.
O novo decreto municipal foi a origem do problema. A VLI, responsável pela Ferrovia Centro-Atlântica, teve que interromper as atividades após a redução do horário noturno permitido para intervenções, anteriormente das 21h às 5h, agora das 23h às 5h. Essa mudança torna inviável a execução das melhorias requeridas, já que o processo de preparação e desmobilização consome grande parte do tempo disponível.
Pedro Erivaldo enfatiza que, apesar da substituição dos dormentes por chapas de aço, a segurança da ponte continua comprometida. Ele alerta que a falta de restauração na parte inferior, essencial para a estrutura e pilares, pode levar a uma interdição futura. A ponte, por onde passam trens de carga e diversos veículos, é vital para o trânsito local, especialmente em períodos de festas.
Para mitigar o desgaste enquanto as obras não recomeçam, a Defesa Civil sugere que veículos reduzam a velocidade ao máximo de 20 km/h. “Segundo os técnicos de São Paulo que estiveram aqui, para a ponte ser bastante segura e ter uma durabilidade muito maior, tem que ter uma velocidade de no máximo 20 km/h dentro da ponte”, explicou Erivaldo.
Com o fim do período eleitoral, a Defesa Civil pretende organizar uma reunião entre a VLI, os prefeitos de Cachoeira e São Félix, e o Governo da Bahia para tentar solucionar o impasse. O governo estadual já alocou R$ 3,2 milhões para o projeto de iluminação cênica, que também está paralisado.
Erivaldo afirma que, caso se retorne ao horário original de trabalho, a VLI poderia concluir a restauração em cerca de sete meses, garantindo a durabilidade da ponte por décadas. “Se continuasse esse mesmo horário das 21h às 5h, a concessionária terminaria o restauro e a ponte ficaria com um tempo de 20, 30, 40 ou 50 anos sem precisar de grandes manutenções”, afirmou.
A mobilização pela preservação da ponte remonta à década de 1990, com esforços contínuos desde a privatização da malha ferroviária. “Já vai fazer 30 anos que nós começamos a questão do SOS Ponte Dom Pedro II, desde 1997. São quase três décadas de luta e restauro”, concluiu Erivaldo.
Recentemente, a concessão da ferrovia pela VLI foi renovada por dois anos, com a possibilidade de extensão por mais 30 anos, decisão aprovada pela ANTT, mas questionada pelo TCU, que pede explicações sobre a escolha de não realizar uma nova licitação.
Fonte: Bahia Notícias – Principal







