Um caso trágico envolvendo um pet shop de luxo no bairro dos Jardins, em São Paulo, está em investigação um ano após a morte de Miyeon, uma chihuahua de dez meses. O incidente ocorreu no dia em que a tutora, uma advogada baiana, celebrava a obtenção de sua carteira da OAB. O que deveria ser um dia de alegria transformou-se em pesadelo, com a morte do animal durante um banho no estabelecimento.
As investigações, conduzidas pelo 78º Distrito Policial, apuram suspeitas de maus-tratos, omissão de socorro e tentativa de obstrução de provas. Imagens de segurança e depoimentos sugerem falhas graves nos procedimentos do pet shop. Em um dos momentos capturados, o funcionário responsável pelo banho teria agredido o filhote e o deixado inerte em água por 20 segundos. A chihuahua chegou sem vida ao hospital veterinário, com lesões no crânio detectadas na necrópsia.
A busca por justiça vai além da reparação pessoal para a tutora, que pretende doar qualquer indenização a instituições de proteção animal. No dia do ocorrido, a chihuahua foi levada à creche canina antes da cerimônia da OAB, de onde foi transportada ao pet shop parceiro. No final da manhã, a tutora foi informada do desmaio do animal e sua condução à clínica veterinária, onde a morte foi confirmada.
As imagens do circuito interno, obtidas após intervenção policial, revelaram irregularidades nos cuidados. O funcionário banhava dois cães simultaneamente, colocando Miyeon com um cão maior e agindo de forma brusca. Em depoimento, ele admitiu ter contido fisicamente a chihuahua após uma tentativa de mordida. As gravações mostraram a ausência de socorros antes de tirar o corpo do local.
Dificuldades para acessar as imagens de segurança complicaram as investigações. Os proprietários do pet shop alegaram problemas técnicos, atrasando a entrega dos vídeos completos, que só ocorreu após ordem policial. A defesa dos sócios argumenta que Miyeon tinha condição congênita, mas especialistas desconsideram essa hipótese, apontando cuidados inadequados.
O pet shop passou por mudanças, operando agora sob o nome Vilati Clínica e Pet Shop. O funcionário foi demitido, mas as atividades continuam. A ação judicial enfrenta lentidão devido à complexidade das perícias, enquanto o estabelecimento permanece aberto.
A tutora, que vivia sozinha com Miyeon, relata danos psicológicos significativos. Ela rejeitou acordos financeiros oferecidos pelos réus e busca responsabilização judicial. As ações visam justiça pela morte de Miyeon e a avaliação da cassação do alvará do pet shop pela Prefeitura de São Paulo e pelo CRMV.
Fonte: Bahia Notícias – Principal







