Líderes na Câmara dos Deputados, juntamente com presidentes de partidos, estão promovendo discussões para reviver uma proposta que modifica a escolha dos deputados federais, introduzindo o sistema distrital misto. Esta iniciativa surge em resposta ao fortalecimento do Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026, que reduziu a representatividade dos partidos de centro na Câmara. A proposta visa implementação completa nas eleições de 2034, com uma transição planejada para 2030. A articulação começou após o primeiro turno eleitoral, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), liderando os esforços.
O PL obteve notável sucesso nas últimas eleições, conquistando 121 cadeiras, seu melhor desempenho desde a Constituinte, enquanto os partidos do Centrão perderam 22 cadeiras desde 2022. Hugo Motta está em conversações com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, sobre a aceleração do processo de votação. O objetivo é garantir apoio no Senado, uma vez que as mudanças não afetam suas eleições internas. No entanto, o texto ainda precisa de consenso na Câmara, com resistência do PL e do PT em alterar o sistema eleitoral após uma eleição acirrada.
A proposta em debate inclui a criação de um sistema distrital misto, onde metade das vagas seriam destinadas aos candidatos mais votados em cada distrito e a outra metade distribuída segundo uma lista partidária. Este modelo é defendido por líderes como Gilberto Kassab (PSD) e Ciro Nogueira (Progressistas), mas enfrenta críticas de partidos como o PSOL, que teme a diminuição da representatividade de minorias.
Outro modelo discutido é o “distritão”, que transformaria as eleições em majoritárias, elegendo apenas os candidatos mais votados em cada estado. O “distritão” é criticado por potencialmente favorecer candidatos com maior poder econômico e dificultar a renovação política. Apesar das tentativas de aprovação em 2017 e 2021, o modelo não alcançou votos suficientes.
Com vistas à transição em 2030, líderes sugerem adotar um modelo intermediário, possivelmente o “distritão”, antes de implementar o sistema distrital misto em 2034. As listas partidárias teriam que seguir regras de inclusão para mulheres e negros, mas há incertezas sobre a garantia de diversidade.
A divisão dos estados em distritos é um ponto crítico e seria coordenada por critérios do IBGE, com supervisão de uma comissão do Congresso. Defensores do sistema distrital misto argumentam que ele poderia reduzir os custos de campanha e aumentar a proximidade entre candidatos e eleitores, concentrando esforços em regiões menores.
Fonte: g1 Política







