A dívida pública do Brasil atingiu seu ponto mais alto em mais de cinco anos, alcançando 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, equivalente a R$ 11,1 trilhões. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), essa tendência preocupante pode levar o endividamento a ultrapassar o PIB até 2032. O cenário fiscal do país, que inclui o governo federal, estados, municípios e empresas estatais, não foi capaz de cobrir suas despesas em setembro, resultando em um déficit de R$ 5,5 bilhões no mês e acumulando R$ 94,3 bilhões no ano. As estatais federais registraram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões de janeiro a setembro, o pior desempenho desde 2002, com destaque negativo para os Correios, que enfrentam grave crise financeira.O aumento da dívida pública também afeta a economia, pressionando a inflação e os juros, além de prejudicar investimentos e o crescimento econômico. Juliana Inhasz, economista do Insper, alertou que “essa taxa de juros, ela tende a deteriorar as condições de crescimento de uma forma muito rápida”, o que pode resultar em desemprego elevado e redução do consumo familiar.A IFI também destacou que medidas recentes, como o reajuste do Bolsa Família e pacotes de ajuda, podem impactar as contas públicas em R$ 40 bilhões até 2027. Para reverter o cenário, seria necessário um ajuste fiscal de aproximadamente R$ 430 bilhões, combinando cortes de despesas, reformas e mudanças nas regras orçamentárias. Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, enfatizou a necessidade de “uma reforma administrativa” e revisões na Previdência para evitar uma armadilha fiscal, sem a qual não haverá financiamento para políticas públicas essenciais. Juliana Inhasz reforçou a importância de repensar o gasto público, analisando onde e como os recursos são utilizados, para garantir a sustentabilidade das contas do país.
Fonte: g1 Brasil







