A deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) expressou preocupações significativas sobre o futuro da Câmara dos Deputados, destacando o Partido Liberal (PL) como a maior bancada. Durante entrevista à rádio Antena 1 Salvador, ela destacou a iminente “batalha permanente” entre ódio e civilidade no Congresso. Segundo Alice, a nova composição do Parlamento exigirá maior envolvimento da sociedade nos debates políticos. “É um processo muito difícil. Já foi essa legislatura uma legislatura bem difícil. Mas agora, com o PL sendo o maior partido da Câmara, nós vamos enfrentar uma batalha permanente do ódio contra a civilidade. Do senso comum contra o que extrapola. E isso demandará que a mobilização se transforme no 12º jogador”, afirmou, falando aos apresentadores Rebeca Menezes e Maurício Leiro. A deputada ressaltou que a atual correlação de forças no Congresso é uma das mais complicadas da história republicana. Ela argumentou que muitos recém-eleitos carecem de familiaridade com os processos políticos e protocolos legislativos. Além disso, Alice Portugal criticou a visão limitada de alguns parlamentares que se veem apenas como intermediários de prefeitos, enfatizando a importância da criação de leis e discussões sociais. “Deputados como eu ficam com muita dificuldade de eleição, pois não sou deputada de prefeitos. E um deputado não é apenas um office boy ou office girl de prefeituras. Ele tem que gerar códigos de vivência. As leis são os códigos de vivência. As condutas sociais. Então essa é a discussão sobre o que é um deputado”, explicou. Ela também associou a atual configuração política à percepção do eleitorado durante as eleições, afirmando que houve uma mudança entre quantidade e qualidade entre os turnos eleitorais. “Então ali na Câmara, eu acho que a virada de quantidade para qualidade se deu entre o primeiro e o segundo turno também por isso. Havia aquele desestímulo com a política, aquela visão errônea de que todos são iguais, não vou votar em ninguém, ou concentrar em um ou em outro, ou em um influenciador. E resultado: a correlação de forças, da minha concepção, é uma das piores da história da República, porque você vai ter uma grande quantidade de parlamentares que não têm intimidade com a política, que não conhecem os meandros, os ritos da política, inclusive as etiquetas da política”, concluiu.
Fonte: Bahia Notícias – Principal







