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População de baleias-jubarte no Brasil cresce de 1,5 mil para 35 mil em 30 anos

Abrolhos se destaca como o principal ponto de reprodução das jubartes, atraindo cientistas e turistas para observação.

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Em 30 anos população de baleias-jubarte passou de 1,5 mil para 35 mil

O nascer do sol marca a saída do catamarã Pegasus I do cais em Caravelas, Bahia, rumo ao arquipélago de Abrolhos, um reduto vital para a biodiversidade marinha do Brasil. A jornada, que normalmente duraria cinco horas, se estende na busca ansiosa pelo avistamento das baleias-jubarte, que deixam a Antártica anualmente para se reproduzirem nos trópicos brasileiros. Logo após a partida, os passageiros se posicionam nos melhores pontos do barco, atentos ao borrifo característico que sinaliza a presença de uma baleia.

O borrifo, muitas vezes confundido com um jato d’água, é na verdade a condensação do vapor quente da respiração do animal ao encontrar o ar frio. Quando avistado, ele direciona a embarcação, enquanto câmeras e olhos atentos esperam vislumbrar o dorso ou mesmo um salto da baleia. Este emocionante espetáculo é acompanhado de perto por Enrico Marcovaldi, um experiente fotógrafo de vida selvagem, que dedica quase quatro décadas a registrar esses majestosos animais em Abrolhos. “Isso é que é bonito!”, exclama a cada clique da câmera.

O Instituto Baleia Jubarte, responsável pela expedição, realiza um monitoramento detalhado das jubartes, coletando dados importantes para estimativas populacionais e comportamentais. A espécie, que já foi intensamente caçada durante o Brasil colônia, teve sua caça proibida em 1987 e, desde então, sua população no Brasil se recuperou significativamente. Em 1990, cerca de 1,5 mil baleias foram registradas, enquanto em 2022 esse número ultrapassou 35 mil. O instituto, formalizado em 1996 com apoio da Petrobras, é peça-chave na conservação e pesquisa dessas criaturas.

Apesar dos avanços, as baleias enfrentam novos desafios, como poluição e mudanças climáticas. Eduardo Camargo, diretor-executivo do instituto, destaca a necessidade de conciliar atividades humanas com a proteção dos cetáceos. “O lixo impacta o oceano inteiro, que está coberto de microplástico”, alerta Camargo, ressaltando que a disponibilidade de alimento para as baleias é afetada pelas mudanças no clima.

Os esforços de pesquisa incluem a coleta de amostras para biópsia e o uso de tecnologia para fotoidentificação, que auxilia na compreensão dos padrões migratórios e na identificação de indivíduos. Colaborações com universidades ampliaram o conhecimento sobre as jubartes, permitindo a realização de mais de 60 projetos acadêmicos e a publicação de mais de 130 artigos científicos.

O Instituto também desempenha um papel consultivo na formulação de políticas públicas e no apoio a empresas que visam reduzir seus impactos ambientais. A Petrobras, principal patrocinadora, ajustou rotas de transporte marítimo para evitar interferir nas migrações das baleias. Com um investimento recente de R$ 30 milhões, a estatal reforça seu compromisso com a preservação ambiental.

“Estamos prestando um serviço público”, conclui Camargo, destacando que, além de ser uma missão apaixonante para a equipe, o trabalho do instituto contribui significativamente para a conservação dos ecossistemas marinhos brasileiros.

Fonte: Agência Brasil – Últimas

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