Na sexta-feira (30), áudios divulgados nas redes sociais trouxeram à tona uma possível instrução do Sindicato dos Rodoviários de Salvador para adesivar ônibus com propaganda do PT durante o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). A ação teria resultado na retenção dos veículos nas garagens, o que é considerado um crime eleitoral e está sob investigação, junto com a redução do serviço de transporte público.
Nos áudios, atribuídos a Fábio Primo, presidente interino do sindicato, é mencionado que a quantidade de adesivos era limitada, destacando a prioridade de colagem nos ônibus que estariam em circulação. “Não tem material suficiente para todos os carros, então, quando chegar, temos que pegar na mão do operador o número dos carros que vão sair, para a gente colar apenas nos carros que vão sair, até porque eles não colocam 100% da frota”, diz a mensagem. Outro trecho destaca a necessidade de ação: “O momento é crucial. Não existe outra alternativa, então todo mundo tem que se doar um pouco”.
Pelo menos 75 ônibus ficaram parados durante a votação. O sindicato se pronunciou por nota, negando qualquer distorção dos fatos e acusando tentativas de deslegitimar sua atuação. A Procuradoria Geral do Estado formalizou uma queixa ao Ministério Público Federal, incluindo o áudio como evidência.
Vereadores de Salvador solicitaram uma investigação na Câmara Municipal para apurar a redução da frota no 2º turno. A proposta foi encaminhada ao presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), mas ainda não obteve as assinaturas necessárias para a Comissão Especial de Inquérito.
Em paralelo, um relatório do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia revelou falhas na operação das garagens de ônibus. Supervisores confirmaram que a frota em circulação era inferior à dos dias úteis, seguindo orientações da Secretaria de Mobilidade (Semob). O Procon encontrou mais de 950 ônibus parados.
O secretário de mobilidade de Salvador, Pablo Souza, defendeu a estratégia adotada, alegando que não havia exigência do Tribunal Superior Eleitoral para 100% da frota. Ele destacou que a operação no segundo turno foi idêntica à do primeiro, com 850 dos 1,7 mil ônibus circulando. Contudo, uma resolução do TSE prevê transporte público gratuito e com frequência de dias úteis durante as eleições.
O Sindicato dos Rodoviários confirmou que a frota é reduzida nos fins de semana, mas no segundo turno operou como um domingo comum. A principal diferença entre os turnos estaria na colagem dos adesivos. A situação continua em análise, sem conclusão até o momento.
Fonte: g1 Bahia







