A montadora chinesa BYD está prestes a dar um passo significativo na indústria automotiva brasileira, com a previsão de lançamento do seu primeiro carro totalmente montado no Brasil até dezembro deste ano. Localizada em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, a fábrica da empresa já se prepara para aumentar sua produção e melhorar sua competitividade no mercado.
Montagem 100% brasileira em breve
O vice-presidente da unidade, Alexandre Baldino, anunciou que a montagem do primeiro modelo, o Atto 2, um carro híbrido plug-in, começará em dezembro. Este veículo, que combina motor elétrico com motor a combustão, terá um preço variando entre R$ 149.990 e R$ 166.660. Baldino explicou que a fase de testes para os complexos de soldagem, pintura e estamparia está em andamento, prevendo-se que a produção local inicie entre novembro e dezembro.
Aquisição do Porto da Ford
Além da produção, a BYD está de olho na aquisição do Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, conhecido como “Porto da Ford”, localizado em Candeias, a cerca de 35 km da fábrica em Camaçari. O espaço, que foi desativado após a saída da Ford da Bahia em 2021, pertence atualmente ao Estado da Bahia. Baldino destacou a importância do terminal para facilitar a logística de exportação da montadora: “Nossa estratégia é, de fato, sermos uma empresa regional contígua entre América do Sul, Central e Norte, onde nós aproveitaríamos essa estratégia para exportar a partir da Bahia”.
Novas instalações e expectativas de crescimento
Com a nova estrutura de estamparia, soldagem e pintura, a BYD intensificará a produção local, que atualmente depende de peças pré-montadas enviadas da China. As etapas de produção incluem estamparia, soldagem, pintura e montagem final, onde todas as partes do veículo são integradas. Atualmente, a fábrica produz cerca de 700 veículos por dia, incluindo modelos como Doplhin mini, Song pro, Atto 2 e King.
Impacto econômico e geração de empregos
A unidade baiana da BYD representa o maior investimento da empresa fora da China, com R$ 11 bilhões aplicados em aproximadamente um milhão de metros quadrados. A fábrica já gera cerca de 9 mil empregos diretos, com expectativa de atingir 10 mil ainda este ano, e quando a expansão estiver completa, esse número pode chegar a 20 mil. O salário médio dos funcionários, de R$ 3,9 mil, é 24% superior à média do setor na região.
A parceria com o Observatório da Indústria da Fieb visa quantificar os impactos econômicos da presença da BYD na Bahia, analisando dados sobre emprego e produção. O economista Thobias Silva destacou a importância de acompanhar as mudanças na economia local desde a chegada da montadora.
Com esses avanços, a BYD se posiciona não apenas como uma montadora, mas como um agente transformador da economia local, contribuindo para o desenvolvimento da indústria automotiva no Brasil.
Fonte: g1 Bahia







