O turismo de observação de baleias-jubarte em Abrolhos, Bahia, tem se tornado uma importante ferramenta para a conservação da espécie e o desenvolvimento econômico local. Com a criação do Parque Marinho dos Abrolhos nos anos 1980, a pesca foi proibida na região, transformando o cenário e impulsionando o turismo ecológico. Paulo Salomão, um dos pioneiros neste setor, começou a transportar turistas para mergulhar e observar a rica vida marinha, incluindo as majestosas baleias-jubarte.
Inicialmente, Salomão enfrentou dificuldades em se adaptar ao mar, mas sua paixão o levou a se tornar um capitão respeitado, com quatro embarcações que hoje empregam dez pessoas. O turismo de observação ganhou ainda mais força com o aumento populacional das jubartes, que percorrem 4 mil quilômetros desde a Antártica até as águas quentes do arquipélago para acasalar e parir. “Há uns dez anos, o maior fluxo de pessoas passou a ser em julho e agosto”, afirma Salomão.
O crescimento das jubartes, atualmente em torno de 35 mil indivíduos, deve-se a fatores como a proibição da caça de baleias em 1987, a criação do Parque Marinho e o trabalho de grupos ambientais. O Instituto Baleia Jubarte, fundado em 1988, tem sido uma peça chave nesse processo, promovendo a pesquisa e a preservação da espécie, com apoio da Petrobras.
Para regulamentar o turismo, a Marinha e o Ministério do Meio Ambiente impuseram regras rígidas. As embarcações devem manter distância mínima de 100 metros dos animais e o tempo de observação é limitado. “É uma forma de criar uma renda limpa, quando ela é bem feita”, defende Eduardo Camargo, diretor executivo do Instituto Baleia Jubarte.
Além do impacto econômico, o turismo de observação promove a conscientização ambiental. Deise Gomes Valente e Karina Moraes, turistas que participaram do passeio, destacam a experiência transformadora de ver as jubartes em seu habitat natural, o que incentiva práticas sustentáveis, como a redução do uso de plásticos.
O Instituto Baleia Jubarte também conduz atividades educativas e científicas, colaborando com operadores de turismo e mantendo centros de visitação. “As baleias têm um grande papel para o planeta”, explica Milton Marcondes, diretor de pesquisa do Instituto, ressaltando a contribuição das jubartes na fertilização dos mares e captura de carbono. Estudos estimam que as baleias contribuem com mais de US$ 82 bilhões em serviços ambientais.
A preservação das jubartes e o turismo de observação não apenas impulsionam a economia local, mas também promovem a conscientização ambiental, mostrando que é possível gerar renda respeitando o ciclo natural dos animais.
Fonte: Agência Brasil – Últimas







