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Temporada de baleias-jubarte tem queda histórica de nascimentos

Redução de filhotes preocupa especialistas, que apontam aquecimento global como causa

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Temporada das baleias-jubarte termina com menos filhotes

A temporada de baleias-jubarte no Brasil encerrou-se com um número significativamente menor de filhotes, levantando preocupações entre pesquisadores. As baleias, que anualmente migram da Antártida para o arquipélago dos Abrolhos na Bahia para se reproduzir, registraram uma taxa de natalidade de apenas 3,35% este ano, bem abaixo da média histórica de 9,98% calculada desde 2014. A principal hipótese para essa redução é o impacto das mudanças climáticas. Segundo o Instituto Baleia Jubarte, as jubartes dependem quase exclusivamente do krill para alimentação na Antártida. Milton Marcondes, diretor de pesquisas do instituto, explica que “baleias que não se alimentam direito, quando vêm acasalar, não têm tanta fertilidade”.Essa escassez de alimento pode estar comprometendo a fertilidade das baleias e a sobrevivência dos filhotes em gestação. Durante a migração aos trópicos, as jubartes não se alimentam, necessitando de reservas de gordura acumuladas antes da viagem. O monitoramento das baleias é realizado diariamente por pesquisadores do instituto em embarcações entre a Bahia e o Espírito Santo. Esse método garante dados anuais consistentes. Em 11 cruzeiros científicos aos Abrolhos, foram avistadas 431 baleias, das quais apenas 42 eram filhotes. Além disso, um levantamento aéreo ao longo da costa estima a população total de jubartes no país. O último levantamento, em 2022, apontou 34,5 mil baleias. A contagem atual, ainda em andamento, deve confirmar uma redução no número de indivíduos e filhotes.A temporada deste ano foi encurtada pela falta de filhotes. As jubartes costumam chegar ao Brasil em junho, com pico entre julho e outubro, partindo até novembro. “As baleias que vieram acasalar, acasalaram e foram embora”, afirma Marcondes. Filhotes geralmente prolongam a temporada, pois precisam de tempo para desenvolver musculatura e gordura antes de migrar às áreas de alimentação na Antártida. A falta de filhotes também influenciou nos registros de encalhes, com uma quantidade menor que a do ano anterior: 59 contra 78. No entanto, Marcondes alerta que “se continuar o problema com disponibilidade de krill, pode ser que no ano que vem a gente tenha uma mortalidade atípica”. A maioria dos encalhes são de filhotes, mas, com a redução destes, os jovens, menos experientes e com menor capacidade de acumular gordura, tornaram-se predominantes nos registros. Este ano, os estados de Santa Catarina e São Paulo, ao sul, lideraram os encalhes, refletindo a presença de baleias jovens que não completaram a migração. O impacto climático sobre a disponibilidade de krill continua a ser uma preocupação central para a saúde das populações de baleias-jubarte.

Fonte: Agência Brasil – Últimas

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