O Pará registrou um aumento significativo na exploração madeireira entre agosto de 2024 e julho de 2025, totalizando 60.664 hectares. Este é o maior índice desde o ciclo 2019-2020, representando um crescimento de mais de 40% em relação ao período anterior. Os dados, divulgados pela Rede Simex, revelam preocupações com a gestão florestal no estado.
Os números trazem à tona a necessidade urgente de fiscalização e controle, já que 32% da exploração foi ilegal. No total, 41.538 hectares foram explorados de forma autorizada, enquanto 19.126 hectares sofreram extração sem permissão. A pesquisa utilizou imagens de satélite para mapear as áreas e cruzou as informações com as autorizações emitidas, conforme revelado pelo Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), que inclui instituições como Imazon, Instituto Centro de Vida (ICV) e Imaflora.
A pesquisadora Camila Damasceno, do Imazon, destacou a relativa redução na extração ilegal, mas ressaltou o impacto ainda significativo: “Precisamos fortalecer a fiscalização, ampliar as ações de combate e responsabilização dos infratores e criar mecanismos de incentivo ao manejo florestal, principalmente o comunitário”.
O coordenador Carlos Souza Jr., também do Imazon, alertou para os impactos da madeira ilegal: “Foram derrubadas e inseridas no fluxo comercial entre 38 mil e 57 mil árvores, sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade”. Segundo ele, a presença de madeira sem origem certificada prejudica o setor florestal legalizado.
As terras indígenas do Pará mostraram resistência à exploração ilegal, concentrando apenas 2% dessa atividade. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram 424 hectares explorados ilegalmente em terras indígenas, sendo a Terra Indígena Amanayé a mais afetada. Camila Damasceno enfatizou a importância desses territórios como barreiras contra crimes ambientais, mas alertou para a urgência de proteger áreas sensíveis: “A ocorrência de exploração ilegal em uma área protegida é extremamente sensível e exige atenção urgente”.
A exploração ilegal não afeta apenas o meio ambiente, mas também representa uma violação dos direitos das comunidades indígenas, expondo-as a conflitos, ameaças e restrições de movimento em suas próprias terras.
Fonte: Agência Brasil – Últimas







