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Pará bate recorde de incêndios em outubro, aponta Inpe

Clima seco e El Niño contribuem para aumento das queimadas no estado

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No Pará, outubro registra recorde de focos de incêndios em 29 anos de medições do Inpe

O estado do Pará atingiu um recorde histórico de incêndios em outubro, com mais de 11,7 mil focos registrados, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este é o maior número desde o início do monitoramento em 1998. Ane Alencar, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), aponta o fenômeno climático El Niño como um fator que intensifica a seca e, consequentemente, o risco de incêndios: “E isso está relacionado à questão da seca. Nós estamos, por conta do El Niño, que de fato afeta essa região, a partir de agora, a gente tem tido um espalhamento, uma propagação do fogo maior. Então, o fogo, quando ele entra na floresta, realmente fica muito difícil combater”.Em Vitória do Xingu, as chamas destruíram cerca de 500 hectares em duas fazendas, exigindo mais de sete horas de trabalho dos bombeiros para serem controladas. Em Santarém, a prefeitura declarou emergência ambiental devido à má qualidade do ar e ao aumento das queimadas, proibindo o uso do fogo para limpeza e manejo de terras. As chamas já ameaçam áreas residenciais na zona rural.Ane Alencar ressaltou a dificuldade no combate aos incêndios em áreas de assentamentos e propriedades privadas em Santarém, uma região fortemente afetada no Pará. “Nós temos visto muitos incêndios florestais em áreas de assentamento, em áreas de propriedades privadas nessa região de Santarém, que é uma região forte das queimadas no Pará, e isso dificulta muito o trabalho para combater esses incêndios”, declarou ela.A situação é crítica no assentamento Chapadão, entre Uruará e Santarém, onde a Polícia Militar identificou exploração ilegal de madeira e queimadas criminosas. “Foram encontrado dois crimes, praticamente na mesma área, a questão da tora de madeira próxima à queima da floresta. Infelizmente, não foi possível encontrar nenhum infrator”, disse o capitão Wanderson Queiroz, da Companhia Ambiental da PM do Pará.O Corpo de Bombeiros atua em onze áreas prioritárias, enquanto Ibama e ICMBio coordenam esforços com quase 300 brigadistas no oeste do Pará a partir de uma sala de crise. Maria Ana Canut, chefe de operações do Ibama, explicou a estratégia: “A ideia dessa sala é a gente monitorar os incêndios, definir as prioridades, definir onde está a região mais crítica, para a gente poder atacar”.Apesar de seis aeronaves estarem disponíveis, a densa fumaça impede suas operações. Denilson Oliveira, comandante da operação Pará-Oeste, destacou a importância da fiscalização: “Em paralelo às ações de combate, o Ibama e o ICMBio, a gente está atuando também em fiscalização. É bom que a sociedade entenda que o momento é crítico, e a ação e o poder de polícia também vão estar em ação”.As causas dos incêndios seguem sob investigação, enquanto medidas de combate e prevenção são intensificadas para lidar com a situação crítica.

Fonte: g1 Brasil

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