Enquanto milhões de estudantes se preparam para o Enem, um grupo seleto já garantiu ingresso no ensino superior através de olimpíadas científicas. Alunos que conquistam medalhas em competições de prestígio, como a OBMEP e Canguru, têm agora uma nova via de acesso às principais universidades brasileiras: as vagas olímpicas. Inspiradas pela Unicamp, pioneira nesta modalidade desde 2019, diversas universidades oferecem editais específicos para medalhistas, dispensando o vestibular convencional.
Cada instituição define seus critérios nos editais, que incluem análise curricular e especificações sobre quais medalhas são aceitas. Segundo a OBM, este ano, Unicamp, USP e Unesp disponibilizaram juntas mais de 800 vagas para esses alunos destacados. Fernanda Nalon, de 17 anos, é um exemplo de quem viu nas olimpíadas uma oportunidade. Após o isolamento da pandemia, ela se interessou pelas competições promovidas pela Rede Salesiana, onde estuda desde 2014, e rapidamente enriqueceu seu currículo com participações em diversas competições nacionais.
Além de medalhas de bronze e ouro na OBG e OBABIO, Fernanda recebeu menção honrosa na ONC. “As olimpíadas complementam o currículo e facilitam o ingresso em faculdades”, destacou Fernanda. Já Ângela Elisabeth Andrade Lino, 16 anos, também da Rede Salesiana, vê nas olimpíadas uma forma de desenvolver habilidades como raciocínio lógico e equilíbrio emocional. Medalhista na OBMEP e na Olimpíada de Literatura JR, Ângela afirma que competir a fez pensar “fora da caixa”.
O professor Rodrigo Pereira, do Colégio Salesiano Dom Bosco Salvador, reforça a importância das olimpíadas como prática de aplicação do conhecimento adquirido em sala de aula. “Nas competições, o valor está na vivência prática dos conhecimentos”, afirma. Para estudantes focados em alto desempenho, ele oferece feedbacks personalizados e prioriza repertórios complexos e a norma-padrão.
A Rede Salesiana tem uma parceria de sucesso com o Sistema Bernoulli, oferecendo suporte e materiais atualizados para seus alunos. Nos últimos anos, unidades como o Liceu Salesiano acumulam mais de 100 medalhas. O supervisor Edivasco dos Reis Carneiro destaca que a meta é formar não apenas bons profissionais, mas boas pessoas. A partir de 2027, a instituição planeja criar um comitê olímpico para fortalecer ainda mais o desempenho de seus alunos.
Fernanda ressalta que o colégio oferece aulas preparatórias opcionais antes das olimpíadas. “Os professores ajudam nas pesquisas e compreensão dos documentos necessários para competições como a ONHB e OBG”, explica. O professor Edivasco enfatiza que a preparação olímpica deve ser parte da rotina dos estudantes, auxiliando em todas as áreas do conhecimento. A conquista de vagas em cursos concorridos por meio de bons resultados olímpicos é um movimento crescente nas universidades brasileiras, conclui.
Fonte: g1 Bahia







