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Super-ricos geram mais emissões de carbono, diz Oxfam

Relatório revela que 0,1% mais ricos poluem mais que 3,5 bilhões de pobres.

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Oxfam diz que super-ricos emitem mais carbono e ampliam desigualdade climática

Um novo relatório da Oxfam, divulgado na última quarta-feira (28), aponta que os 0,1% mais ricos da população mundial, totalizando cerca de 8 milhões de pessoas, são responsáveis por uma emissão de carbono superior à de 3,5 bilhões de indivíduos mais pobres. O estudo vem à tona às vésperas da conferência climática da ONU (COP31), programada para ocorrer na Turquia entre 9 e 20 de novembro de 2026.

Impactos severos nas populações vulneráveis

A pesquisa revela que as consequências da crise climática recaem de maneira desproporcional sobre as comunidades mais vulneráveis. Essa população enfrenta a destruição de suas moradias, plantações e fontes de renda, agravando ainda mais sua situação de precariedade. A Oxfam estima que uma pessoa pertencente aos 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais ondas de calor extremo do que alguém dos 50% mais pobres.

Consequências para a saúde e a economia

O relatório também destaca que as emissões geradas pelos 1% mais ricos podem resultar em até 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor em um único ano, sendo 78% dessas fatalidades esperadas em países de renda baixa e média-baixa, que são responsáveis por apenas 8% das emissões globais.

Impacto no setor agrícola

Os efeitos da crise climática são particularmente visíveis no setor alimentício e na produção rural. Eventos climáticos extremos, como enchentes e incêndios, não apenas comprometem as colheitas, mas também ameaçam a subsistência de comunidades que dependem da agricultura. A Oxfam alerta que essas populações estão cada vez mais vulneráveis à fome devido à perda de lavouras e rendimentos.

Danos econômicos e deslocamento populacional

O estudo projeta que as emissões dos 1% mais ricos causarão danos econômicos que podem chegar a quase US$ 53 trilhões até 2050. Além disso, estima-se que um bilhão de pessoas possam ser deslocadas devido à crise climática, com a maioria desses deslocamentos ocorrendo em países do Sul Global.

Empresas lucrando com a crise climática

O novo índice Destroy & Rebuild Index, desenvolvido pela Oxfam, identificou 217 empresas que se beneficiam tanto de atividades que contribuem para o colapso climático quanto de operações voltadas para a recuperação e reconstrução após desastres.

Recomendações para mitigar a crise

A Oxfam sugere que os grandes poluidores assumam uma responsabilidade maior, reduzindo rapidamente suas emissões de carbono. Entre as propostas estão a implementação de tributos sobre riqueza e renda, a cobrança de impostos sobre empresas de combustíveis fósseis e sobre produtos de luxo que geram poluição. A entidade também defende um aumento no financiamento climático para o Sul Global, propondo triplicar os recursos destinados à adaptação até 2035 e fortalecer a infraestrutura e os serviços públicos para torná-los mais resilientes às mudanças climáticas.

Por fim, a Oxfam ressalta que a crise climática não apenas resulta em uma alta concentração de emissões, mas também causa perdas humanas e danos significativos às colheitas e aos sistemas alimentares, enquanto beneficia empresas que operam na resposta a desastres e na reconstrução.

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