Um estudo da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal revelou que o racismo e as desigualdades socioeconômicas impactam significativamente as oportunidades de aprendizado das crianças desde cedo. A pesquisa foi baseada em uma avaliação internacional que identificou diferenças no desempenho de crianças de 5 anos conforme raça/cor e condição socioeconômica.
Durante a primeira infância, fase crucial para o desenvolvimento, o ambiente e as oportunidades desempenham papéis essenciais. Segundo a diretora de Políticas Públicas da fundação, Marina Fragata Chicaro, “no Brasil, o racismo estrutural e as desigualdades históricas afetam o acesso a serviços de qualidade e as experiências vividas desde cedo”. A análise foi fundamentada no Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância (IELS), da OCDE, que avaliou crianças matriculadas na pré-escola em três dimensões: aprendizagens fundamentais, funções executivas e habilidades socioemocionais.
As diferenças foram notáveis em várias dimensões, incluindo numeracia emergente, com uma diferença de 40 pontos entre crianças pretas e brancas. Em termos de memória de trabalho, as disparidades também foram evidentes: crianças pretas obtiveram 462 pontos, enquanto crianças brancas alcançaram 471.
Além das diferenças raciais, o estudo destacou a influência do nível socioeconômico. A maior disparidade foi em numeracia, com uma diferença de 84 pontos entre crianças de famílias de baixo e alto nível socioeconômico. Em literacia, crianças de famílias com menor renda obtiveram 477 pontos, enquanto aquelas de famílias mais abastadas alcançaram 532.
Marina Chicaro enfatiza a importância de enfrentar essas desigualdades na primeira infância para evitar que se ampliem ao longo da vida, impactando negativamente as trajetórias educacionais e oportunidades futuras. “Investir na primeira infância combatendo as desigualdades étnico-raciais não é apenas uma questão educacional: é um dever histórico e constitucional”, afirma Chicaro.
A análise sugere que, ao identificar as assimetrias, medidas podem ser adotadas desde a primeira infância. Marcos legais, como a Política Nacional Integrada da Primeira Infância e o Novo Plano Nacional de Educação, já estão em vigor para ajudar a reduzir essas diferenças.
Propõe-se o monitoramento por raça/cor para planejar políticas públicas eficazes e a combinação de políticas universais e focalizadas para atender crianças em situação de pobreza e grupos vulneráveis. Qualificar a formação de professores e ampliar oportunidades de aprendizado em numeracia são ações recomendadas. A integração entre educação, saúde e assistência social é fundamental para enfrentar as desigualdades desde cedo.
Fonte: Agência Brasil – Últimas







