Na corrida eleitoral de 2026, políticos conservadores adotaram jingles de funk como uma estratégia para conquistar o eleitorado jovem e se destacar nas redes sociais. Contudo, essa abordagem gerou controvérsias, visto que não contou com o apoio de artistas do gênero e foi criticada por uma suposta hipocrisia.
Funk se torna trilha sonora de campanhas
Candidatos como Eduarda Campopiano (PL), Nikolas Ferreira (PL), Lucas Pavanato (PL) e Flávio Bolsonaro utilizaram músicas de funk em seus eventos, buscando ressoar com a juventude. De acordo com dados do Spotify, das 50 canções mais populares no dia 25 de outubro, seis eram composições que apoiavam o candidato do PL à presidência ou que criticavam Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Atraindo o público jovem
O funk se firmou como uma potente ferramenta de engajamento durante a campanha de Flávio. Letras de músicas populares foram adaptadas para transmitir mensagens de apoio, como a famosa versão que incentiva os jovens a dançar, afirmando: “Quem ficar parado é petista disfarçado”. O candidato promoveu atos em várias cidades, onde dançou em trio elétrico ao som de funk, promovendo uma conexão direta com seus apoiadores.
Entretanto, essa aproximação com o gênero musical contrasta com as críticas que muitos políticos de direita costumam fazer ao funk, associando-o a uma suposta “narcocultura”, que envolve os símbolos e valores ligados ao tráfico de drogas. Quando questionados sobre essa contradição, os políticos afirmam que suas críticas se dirigem às letras de algumas músicas e aos eventos em comunidades, e não ao estilo musical em si.
Contradições no discurso político
Lucas Pavanato, por exemplo, celebrou sua vitória na Câmara dos Deputados ao som de funk, apesar de ter sido relator da CPI dos Pancadões, que investigou festas clandestinas e o impacto na ordem pública. Seu relatório final indicou que os pancadões promovem a normalização da narcocultura, o que gerou desconforto na relação com artistas do funk, como MC Ryan SP e MC Dricka, que expressaram sua insatisfação com a forma como o gênero foi abordado pela comissão.
Funk e polarização política
Desde sua ascensão na década de 2010, o funk tem se mantido apolítico, mas a polarização das eleições presidenciais de 2018 e 2022 começou a dividir opiniões entre os MCs. Enquanto muitos se uniram ao candidato Lula, outros mudaram de lado em 2024, buscando apoio de políticos conservadores, como foi o caso de Pablo Marçal, que se aproximou de figuras influentes do funk.
A resposta do público e de outros artistas à associação de figuras do funk com políticos de direita foi polarizada. Em 2026, muitos artistas, como Hariel e PH, optaram por apoiar Lula, enquanto outros preferiram manter-se neutros. Apesar disso, a utilização do funk nas campanhas direitistas continuou firme.
Liberdade criativa e críticas à hipocrisia
Os políticos conservadores alegam que o uso do funk é uma questão de liberdade criativa. Pavanato afirmou que “o problema com o funk, por óbvio, é a letra, não o ritmo”. No entanto, críticas de outros membros da direita, como Renan Santos, que já associou o funk a uma cultura “narcoterrorista”, expõem a tensão entre o uso do gênero e a percepção pública sobre a hipocrisia dos discursos políticos. A popularidade das músicas e sua recepção pelo público revelam um complexo panorama de aceitação e rejeição que permeia a relação entre funk e política.







