A praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, continua interditada para banho devido à contaminação por nitrato e cobre. Nove meses após o incidente, a situação ainda não foi resolvida, e moradores, pescadores e marisqueiras da região protestam por indenizações prometidas. Apesar da interdição, não há placas de aviso ou barreiras no local, e trabalhadores permanecem afastados de suas atividades.
A contaminação teve origem em um vazamento de substâncias durante operações no terminal marítimo da região, envolvendo as empresas Gerdau e Intermarítima. Análises do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmaram a presença dos contaminantes, atribuindo a responsabilidade a ambas as empresas. O Terminal Itapuã, local do vazamento, era operado pela Intermarítima, mas a Gerdau administrou a operação por três décadas.
Em junho, o Governo Federal decretou estado de emergência em Salvador devido à contaminação, decisão publicada no Diário Oficial da União. A Prefeitura de Salvador estendeu essa situação por mais 90 dias em agosto, devido aos impactos ambientais e sociais persistentes. A Justiça Federal bloqueou cerca de R$ 387,6 milhões em bens das empresas envolvidas e o Inema impôs multas significativas, sendo R$ 20 milhões à Intermarítima e R$ 50 milhões à Gerdau.
Moradores de São Tomé de Paripe, junto a pescadores e marisqueiras, bloquearam vias na quinta-feira (3), exigindo indenizações. Em setembro, um acordo preliminar entre os Ministérios Públicos da Bahia e Federal e a Gerdau previa um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para reparação dos danos, incluindo auxílio financeiro. No entanto, os manifestantes afirmam que nenhum pagamento foi efetuado até o momento.
Enquanto as disputas sobre a responsabilidade continuam, a Gerdau declarou estar em diálogo com autoridades para encontrar soluções sociais e ambientais. A empresa Intermarítima não se manifestou. O Inema, por sua vez, permanece monitorando a região e assegurando que medidas ambientais sejam cumpridas. A Prefeitura de Salvador continua a oferecer proteção social emergencial às famílias afetadas.
A contaminação começou em fevereiro com a estocagem de granéis sólidos no Terminal Itapuã. Denúncias de pesca com bomba e mortandade marinha em abril, reconhecimento federal de emergência ambiental em junho e investigação do Ministério Público Federal em julho pontuam a cronologia do caso. Em setembro, ainda sem consenso sobre indenizações, moradores propuseram um auxílio emergencial único de R$ 12 mil, rejeitando a oferta da Gerdau de R$ 1 mil mensais durante um ano.
Em meio a protestos e impasses, a situação em São Tomé de Paripe permanece crítica, com a população local cobrando soluções efetivas para a descontaminação e recuperação da área.
Fonte: g1 Bahia







