A Justiça da Bahia determinou que o Governo do Estado indenize em R$ 100 mil um investigador da Polícia Civil que foi brutalmente agredido por policiais militares durante o carnaval de Salvador em 2023. A sentença, proferida em 19 de outubro, é objeto de análise pela Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA), que estuda possíveis recursos ou acordos.
Agressões filmadas e reconhecidas pela Justiça
O investigador Adson Gomes Miranda, que estava fora de serviço, assistia ao desfile no circuito Barra-Ondina quando foi alvo de uma série de ataques, incluindo golpes de cassetete e socos. A ação violenta, realizada por integrantes do Batalhão de Choque da Polícia Militar, foi registrada por uma testemunha. As imagens mostram que os policiais continuaram a agressão mesmo após Miranda ter caído ao chão, sendo interrompidos apenas quando uma ambulante interveio para protegê-lo.
Decisão judicial e evidências apresentadas
Na sua decisão, o juiz atribuiu a responsabilidade ao Estado, desconsiderando a defesa dos policiais que alegaram agir em legítima defesa ou para conter uma briga, já que não havia provas que sustentassem essas afirmações. Foram levados em conta diversos elementos, incluindo: o inquérito da Corregedoria da Polícia Militar, laudos médicos que confirmaram a perda de dentes, fraturas faciais e lesões oculares, além do acompanhamento psiquiátrico e do vídeo que documentou a agressão.
Relato do investigador sobre racismo
Em uma entrevista após o incidente, Adson Gomes Miranda expressou seu temor e a sensação de injustiça que vivenciou. Ele questionou se a agressão estava relacionada à sua etnia e aparência, afirmando: “É por que eu sou rastafári? É por que eu sou negro? Eu não tenho direito de ir para festas, de curtir naquele local?” Ele ainda ressaltou que a repercussão do caso se deu por sua condição de policial, refletindo sobre os muitos outros que podem ter passado por situações similares sem a mesma visibilidade.
Posicionamento da PGE-BA
A Procuradoria Geral do Estado da Bahia informou que foi notificada sobre a sentença no dia 27 de outubro de 2026 e que está analisando as implicações jurídicas da decisão. Eles esclareceram que a responsabilização disciplinar dos policiais é uma questão que deve ser esclarecida pela Polícia Militar da Bahia e pela Secretaria da Segurança Pública.
A situação levanta discussões mais amplas sobre a violência policial e a necessidade de um olhar mais atento sobre como as forças de segurança atuam, especialmente em eventos de grande aglomeração como o carnaval.
Fonte: g1 Bahia — Polícia







